Filosofia é uma palavra
grega que significa “amor à sabedoria” e
consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao
conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.
A filosofia foca
questões da existência humana, mas diferentemente da religião, não é baseada na
revelação divina ou na fé, e sim na razão.
Ao longo da história da
civilização ocidental, diversos pensadores ganharam destaque. Separamos quinze
filósofos e suas ideias, apresentados abaixo:
Tales de Mileto
640 a.C – 558 a. C
Tales
foi um filósofo pré-socrático e é considerado o pai da
filosofia ocidental. Nasceu em Mileto, na Ásia Menor, atual Turquia,
aproximadamente em 624 a.C.
Tales instituiu
a Escola Jônica e estabeleceu sólidos conhecimentos sobre a verdade, a
totalidade, a ética e a política. Suas reflexões giravam em torno da ‘natureza’
e de seus quatro elementos fundamentais: terra,
ar, fogo e água. Ele era um monista, ou seja,
acreditava que tudo era constituído por uma substância primordial, neste caso,
a água. Assim sendo, toda a vida teria se originado dela, embora seus
discípulos divergissem quanto a ser este corpo a natureza essencial que a tudo
permeia.
O filósofo envolveu-se em experiências inovadoras com o magnetismo, que na sua
época representava apenas uma mera curiosidade em torno de matéria-prima
constituída de ferro. Ele foi um dos primeiros estudiosos a rejeitar a visão
religiosa dos gregos antigos, que viam nos componentes da Natureza, como o Sol,
a Lua, elementos sagrados.
Tales
além de ser o percursor da filosofia ocidental, é responsável pelo
nascimento de uma nova era intelectual, onde o ser humano passou a procurar a
entender o mundo além de explicações religiosas,
conseguindo consequentemente grande avanço cientifico
e tecnológico.
Sócrates
470 a. C – 339 a.C
Sócrates
é considerado um dos pioneiros da Filosofia Ocidental. Nasceu em Atenas, por
volta de 470 a.C. Tentou seguir os passos do pai, o escultor Sofrônico. Porém,
devotou-se completamente a filosofia, sem dele esperar nenhum retorno
financeiro, apesar da precariedade de sua posição social. Seu trabalho seria
marcado profundamente pelos textos de Anaxágoras, outro célebre filósofo grego.
Sócrates parte do pressuposto: “Só
sei que nada sei”, que consiste justamente na sabedoria
de reconhecer a própria ignorância, ponto de partida para a procura do saber.
Por isso seu método começa pela parte considerada “destrutiva”,
chamada ironia (em
grego, perguntar). Nas discussões afirma inicialmente nada saber, diante do
oponente que se diz conhecedor de determinado assunto. Com hábeis perguntas,
desmonta as certezas até o outro reconhecer a própria ignorância.
Parte então para a segunda etapa do método, a maiêutica (em
grego, parto, dar à luz). Dá esse nome em homenagem a sua mãe, que era
parteira, acrescentando que, se ela fazia parto de corpos, ele “dava à luz”
ideias novas. Com suas perguntas, Sócrates deixa embaraçado e perplexo aquele
que está seguro de si mesmo, fá-lo ver novos problemas, desperta a sua
curiosidade e estimula-o a refletir.
Sócrates,
por meio de perguntas, destrói o saber construído para reconstruí-lo na procura
da definição do conceito, por meio da qual pretendia atingir a essência das
coisas. E, no final, nem sempre Sócrates tem a resposta. Por razões de método,
seus diálogos levantam uma questão, mas não dão a solução. Servem para pôr o
interrogado no caminho da solução para que ele mesmo a encontre.
Platão
427 a.C – 347 a.
C
Platão
foi um dos principais filósofos gregos da Antiguidade. Nascido em Atenas, por
volta de 427-428 a.C., foi seguidor de Sócrates e mestre de Aristóteles.
Platão era integrante de uma família rica, de antiga e nobre linhagem. Ele
conheceu seu ilustre mestre aos vinte anos. Sócrates era bem mais velho, pelo
menos quarenta anos separavam ambos, mas eles puderam desfrutar de oito anos de
aprendizado conjunto.
Depois de viajar pela Magna Grécia e pela Sicília, Platão regressou a Atenas e
fundou a Academia,
que em breve se tornou conhecida e frequentada por um grande número de jovens
que vinha à procura de uma educação melhor.
Apesar de ser o primeiro filósofo da Antiguidade de quem se conhece a obra
integral, muitos de seus diálogos não são autênticos, embora supostamente
assinados por ele. Seu estilo literário é o diálogo, uma espécie de ponte entre
a oralidade fragmentária de Sócrates e a estética didática de Aristóteles. Nos
escritos de Platão mesclam-se elementos mito-poéticos com fatores
essencialmente racionais. Este filósofo não se guia pelo rigor científico, nem
por uma metodologia formal.
Em Platão, a filosofia ganha contornos e objetivos morais, apresentando
assim soluções para os dilemas existenciais. Esta práxis, porém, assume no
intelecto a forma especulativa, ou seja, para se atingir a meta principal do
pensamento filosófico, é preciso obter o aprendizado científico. O âmbito da
filosofia para Platão, se amplia, se estende a tudo que existe.
Segundo
o filósofo, o homem vivencia duas espécies de realidade – a inteligível e a
sensível. A primeira se refere à vida concreta, duradoura, não submetida a
mudanças. A outra está ligada ao universo das percepções, de tudo que toca os
sentidos, um real que sofre mutações e que reproduz neste plano efêmero as
realidades permanentes da esfera inteligível. Este conceito é concebido como
Teoria das ideais ou Teoria das Formas.
Aristóteles
384 a.C – 322 a.
C
É
considerado um dos principais filósofos da Antiguidade, ao lado de Sócrates e
Platão. Filho de Nicômaco, médico pessoal de Amintas, rei da Macedônia, nasceu
na Estagira, em Calcídica, situada no litoral norte do Mar Egeu, no ano de 384
a.C. Com aproximadamente dezesseis, ele partiu para Atenas.
Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar
o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o
assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o
problema da vida. O objeto próprio deste estudo, em que está a solução do
seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o
universal e o necessário, as formas e suas relações.
Entretanto,
as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a
essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão mas
parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado –
mediante o intelecto da experiência.
Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valor objetivo dos conceitos,
mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema
inteiramente original. Os caracteres desta grande síntese são:
1.
Observação fiel da natureza –
Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo.
Aristóteles, filósofo mais positivo, toma sempre o fato como ponto de
partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais
elevadas especulações metafísicas.
2. Rigor no método –
Depois de estudar as leis do pensamento, o processo dedutivo e indutivo,
aplica-os, com rara habilidade, em todas as suas obras, substituindo à
linguagem imaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso e criando
uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode considerar-se como o
autor da metodologia e tecnologia científicas. Geralmente, no estudo de uma
questão, Aristóteles procede por partes:
a)
começa a definir o objeto;
b)
passa a enumerar as soluções históricas;
c)
propõe depois as dúvidas;
d)
indica, em seguida, a própria solução;
e)
refuta, por último, as sentenças contrárias.
3.
Unidade do conjunto –
Sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro sistema, uma verdadeira
síntese. Todas as partes da filosofia se compõem, se correspondem, se
confirmam.
Santo Agostinho
354 – 430
Aurelius
Augustinus viveu em um momento de transição importante: a decadência do Imperio
Romano do Ocidente e a passagem para o mundo medieval.
Filho de uma família abastada do Norte da África, seus pais se esforçaram para
mandá-lo estudar na Universidade de Cartago. Em vez de dedicar-se aos estudos,
Agostinho preferiu dedicar-se a uma vida de prazeres, preferencialmente os
sexuais, que lhe rendeu a famosa frase: “Senhor,
torna-me casto, mas não ainda”.
Para
Agostinho, o tempo não tem realidade em si, é uma invenção do homem,
constituído por três nadas: o passado, que não existe mais; o futuro, que ainda
não existe; e o presente, tão fugaz que é uma mistura de passado e futuro. É a
partir daí que se compreende com certa facilidade a concepção agostiniana de
Deus.
Assim como Platão (427-347 a.C.), Agostinho concebe Deus como uma entidade que
pertence a um reino de verdades atemporais, perfeitas e imateriais, com o qual
só temos contato de maneira não-sensorial: tendo sido feitos à imagem e
semelhança de Deus, uma parte desse reino existe dentro de nós (e pode ser
identificado com a alma).
Nicolau Maquiavel
1469 – 1527
Conhecido
por sua obra “O Príncipe”,
Maquiavel nasceu em uma família decadente de Florença no dia 3 de maio de
1469. Recebeu educação formal e iniciou suas atividades políticas após a
derrocada de Girolamo Savonarolla no Governo de Florença.
Foi nomeado para
diversas missões diplomáticas e exerceu muitos cargos dentro do governo, o que
lhe deu as bases de seu pensamento filosófico e foi o combustível para suas
obras. As ideias de Maquiavel vieram da prática e da observação, pois isso são
consideradas de certa forma mais realistas e adaptáveis às condições do homem.
Nicolau Maquiavel chama a atenção por defender que o poder, a honra e a
glória são bens que devem ser perseguidos e valorizados, ao contrário da ideia
restrita de virtude cristã angelical (livre de tentações). O homem de virtú poderia
conseguir bens na terra e deveria lutar por isso, sem ficar almejando
recompensas exclusivamente celestiais. A moral não poderia ser um
limitador da prática política. O pensamento político de Maquiavel se apoia
no conceito de que a estabilidade da sociedade e do governo precisam ser
conseguidos a todo o custo.
A diferença entre Maquiavel e os demais cientistas naturais está no
constrangimento imposto por suas ideias. Sua originalidade destaca-se pela
forma como lidou com a moral na política, trazendo uma visão independente dos
conceitos defendidos pela igreja.
Francis Bacon
1561- 1626
Nascido
em 1561, em Londres, Inglaterra, Francis Bacon era filho de uma família de
posses e teve uma educação rara para a época. Sua mãe foi quem primeiro se ocupou
de sua educação e, mais tarde, Bacon cursou o Trinity College e, logo depois a
Universidade de Cambridge indo depois para Paris.
Bacon é considerado o pai do empirismo moderno por ter formulado os fundamentos
dos métodos de análise e pesquisa da ciência moderna. Para ele a verdadeira
ciência é a ciência das causas e seu método é conhecido como racionalista
experimental.
Ao contrário de Descartes, Francis Bacon mesclou sua vida entre a
contemplação da filosofia e a agitação da vida política. Ele acreditava
que a dedicação exagerada aos estudos, sem uma finalidade prática, era pura
vaidade acadêmica e que os estudos não poderiam ser um fim em si mesmo.
Para
ele os verdadeiros sábios são capazes de utilizar os conhecimentos de maneira
prática, indicando uma visão pragmática para a ciência e a filosofia.
O rigor dos experimentos científicos, o uso da razão nos atos do dia a dia, a
primazia do método indutivo e ideia de que todo conhecimento tem por finalidade
ser posto em prática, formam o corpo de sua obra.
René Descartes
1596 – 1650
Nascido
em La Haye em 31 de março de 1596, filósofo o francês René
Descartes é considerado o pai da matemática e da
filosofia moderna. O pensamento de Descartes foi revolucionário para a
sociedade feudalista em que ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda
era muito forte.
Foi um dos precursores e considerado o pai do racionalismo, defendendo a tese
de que a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento.
Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno, sendo a sua contribuição
à epistemologia essencial, assim como às ciências
naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento.
Descartes criou, em suas obras Discurso sobre o método e Meditações
– ambas escritas no vernáculo, ao invés do latim tradicional dos trabalhos de
filosofia – as bases da ciência contemporânea.
Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as
coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim
deve ser Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que
puder ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável. Baseado nisso, Descartes
busca provar a existência do próprio eu (ego cogito ergo sum- eu que penso,
logo existo).
Também
consiste o método de quatro regras básicas:
1- Verificar se
existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
2- Analisar,
ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar
essas coisas mais simples;
3- Sintetizar,
ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
4- Enumerar todas
as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.
Jean-Jacques Rousseau
1712- 1778
Nascido
em 1712, na Suíça, Rousseau tem
como essência a crença de que o Homem é bom naturalmente, embora esteja sempre
sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à depravação. Para ele o
homem e o cidadão são condições paradoxais na natureza humana, pois é o reflexo
das incoerências que se instauram na relação do ser humano com o grupo social,
que inevitavelmente o corrompe.
É assim que o Homem, para Rousseau, se transforma em uma criatura má, a qual só
pensa em prejudicar as outras pessoas. Por esta razão o filósofo idealiza o
homem em estado selvagem, pois primitivamente ele é generoso. Um dos equívocos
cometidos pela sociedade é a prática da desigualdade, seja a individual, seja a
provocada pelo próprio contexto social. Nesta categoria ele engloba desde
a presença negativa dos ciúmes no relacionamento afetivo, até a instauração da
propriedade privada como base da vida econômica.
Immanuel Kant
1724 – 1804
Kant nasceu
em 1724, na pequena cidade de Königsberg, na Prússia Oriental. É considerado o
pai da filosofia crítica.
Cursou a Universidade de Königsberg onde se formou nas áreas de
filosofia e matemática, exercendo a profissão de professor na mesma
instituição.
A
obra de Kant foi dividida em duas principais fases: pré-crítica e crítica.
A fase
pré-crítica (período
que durou até 1770) diz respeito à filosofia conhecida como dogmática – as
ideias colocadas apresentam-se como certas e indiscutíveis – recebeu influência
de Gottfried Wilhelm von Leibniz, filósofo, cientista, matemático, diplomata e
bibliotecário alemão e Christian von Wolff, importante filósofo alemão.
Desempenha admiráveis estudos na área que abrange as ciências naturais e no que
diz respeito à física estudada por Newton.
De todas as obras editadas nesta fase salienta-se “A História Universal da
Natureza” e “Teoria do Céu”, de 1775, obra na qual discursa sobre a famosa
teoria cosmológica da “nebulosa” para esclarecer como surgiu e progrediu o
nosso sistema solar.
A segunda
fase fala
sobre o período em que se sai do transe da “letargia dogmática” graças ao
choque que a f. do famoso filósofo Hume provocou.
Kant
publica “A
Crítica da Razão Pura”, “Crítica da Razão Prática” “Critica da Faculdade de
Julgar”, obras
nas quais evidencia o contra-senso de se estabelecer um princípio da
filosofia que estude a essência dos seres antes que se tenha
antecipadamente averiguado o alcance de nossa capacidade de conhecimento.
Friedrich Hegel
1770 – 1831
Nascido
em 1770, na Alemanha, Hegel foi um importante filósofo do final do século XVIII
e começo do século XIX. Foi o fundador do Hegelianismo que se baseava na ideia
principal de que a realidade é capaz de ser expressa em categorias reais.
Hegelianismo e
Filosofia
O
sistema filosófico criado por Hegel, o hegelianismo, é tributário, de modo especial,
da f. grega, do racionalismo cartesiano e do idealismo alemão, do qual
representa o desfecho e a realização mais complexa.
De Heráclito de Éfeso, Hegel herda a ideia de dialética, entendida
como estrutura da realidade e do pensamento. De Aristóteles, aceita três
noções capitais: a do universal,
imanente e não transcendente ao individual (antiplatonismo); a do
movimento, ou de vir-a-ser, como passagem da potência para o
ato; e, finalmente, a das relações
entre a razão e a experiência, cuja necessidade interna deve ser
revelada pelo pensamento.
Do racionalismo cartesiano, Hegel aceita a ideia da racionalidade do real,
ou da consciência das res
cogitans (coisa pensante) com a res extensa (coisa
material); e do spinozismo, em particular, a intuição de que qualquer afirmação é uma negação,
proposição de “importância capital”, segundo Hegel.
Do criticismo
kantiano, base e ponto de partida da moderna filosofia alemã, Hegel herda, de
modo especial, a distinção entre o entendimento e a razão e a ideia de uma
lógica transcendental que, remontando às origens do conhecimento, considera os
conceitos a priori,
em relação aos objetos, formula as regras do pensamento puro e vincula as
categorias à consciência de si, ao eu subjetivo.
De Fichte, Hegel aceita a noção de dialética como processo de afirmação,
negação e negação da negação, na síntese; e de Schelling, a noção do
idealismo objetivo e da identidade do sujeito e do objeto, na consciência do
absoluto. O hegelianismo é um sistema, uma construção lógica, racional,
coerente, que pretende apreender o real em sua totalidade. Antes de construir
seu sistema, porém, Hegel escreveu a Fenomenologia
do espírito. Essa obra, embora seja um resumo
fenomenológico do hegelianismo, é também uma propedêutica ou introdução ao sistema
criado por Hegel.
O hegelianismo é o último dos grandes sistemas da filosofia do
Ocidente. Ele exerceu decisiva influência na formação da teoria da práxis e
do existencialismo.
Arthur Schopenhauer
1788 – 1860
Schopenhauer nasceu
em 1788, em Danzig, Prússia. Para Schopenhauer, em vez de a razão definir o
homem e “decifrar o enigma do mundo”, são o corpo e o sentimento, o que ele
chama de vontade, que permitem alcançar e dizer o sentido das coisas. A vontade
é o que há de mais essencial no mundo; ela se manifesta em toda a natureza e
nos corpos animais, independentemente de serem eles possuidores ou não da
faculdade de razão.
Todos
os corpos do mundo fenomênico são considerados, nessa filosofia, como
concretização de um mesmo querer que nunca cessa. A objetivação da vontade não
escolhe se vai se manifestar no homem mais inteligente ou numa pedra. Desse
modo, em se tratando de espécies, a diferença entre os seres humanos e os
demais animais é quase insignificante, visto que tanto o homem quanto o animal
têm por base uma mesma essência metafísica, a vontade de vida.
Schopenhauer falava da relação entre sonhos e realidade. Para ele, seria
impossível distinguir as duas condições. A vida seria um sonho muito longo,
interrompido durante a noite por outros sonhos curtos. “Nós temos sonhos;
não é talvez toda a vida um sonho? Mais precisamente: existe um critério seguro
para distinguir sonho e realidade, fantasmas e objetos reais?”,
afirma Schopenhauer.
O filósofo ainda discutia o
porquê de todo ser humano ter a vontade de continuar vivendo.
Qual seria o princípio a impelir os homens à continuação da vida e da espécie?
Chegou a conclusão de que nosso corpo é o único objeto que conseguimos conhecer
no universo, pois não o reconhecemos de fora, mas sim de dentro. Assim, diz que
o Eu é a própria vontade de viver. Segundo ele, nosso instinto de sobrevivência
é cego, mesmo sabendo que o que nos aguarda é a morte certa, nós continuamos a
buscar a sobrevivência.
Karl Marx
1813- 1883
Nascido
em Trier (Prússia) em 1818, era o filho mais novo de uma família judaica de
classe média.
A
teoria defendida por Karl Marx fundamenta-se na crítica radical do capitalismo,
onde predomina a exploração do trabalhador pela burguesia. Sob a sua visão,
havia aqueles que possuíam o capital produtivo com o qual expropriavam a mais-valia,
constituindo assim a classe exploradora (burguesia); de outro lado estavam os
assalariados que não possuíam a propriedade (proletários).
Analisando o capitalismo, Marx desenvolveu uma teoria para o valor dos
produtos: o valor é a expressão da quantidade de trabalho social utilizado na
produção da mercadoria. No sistema capitalista, o trabalhador vende ao
proprietário a sua força de trabalho, muitas vezes o único bem que têm, tratada
como mercadoria, e submetida às leis do mercado, como concorrência, baixos
salários.
Karl Marx defendia a educação pública e gratuita para todas as crianças. Esta
era, na sua visão, a solução para retirá-las do trabalho nas fábricas.
Defendia,
ainda, que a educação deveria formar o homem nos aspectos físico, mental e
técnico, trazendo os panoramas do estudo, lazer e trabalho. O intuito
fundamental deveria produzir seres humanos desenvolvidos integralmente através
do trabalho produtivo, escolaridade e ginástica.
Friedrich Nietzsche

1844- 1900
Nascido
em 15 de outubro de 1844, Nietzsche tornou-se um dos mais importantes filósofos
da Alemanha no século XIX e também da atualidade. Nietzsche nasceu em uma
família protestante, com pai e avós pastores, e durante sua infância estudou
para alcançar os mesmos objetivos.
Ao se tornar adolescente, porém, sua vida mudou radicalmente de rumo. Seus
estudos, principalmente os de filologia, o distanciaram da crença em Deus
e de qualquer inclinação para as pesquisas teológicas.
Ao ingressar na célebre
Escola de Pforta, pela qual passaram, entre outros, o poeta Novalis e o
filósofo Fichte, ele entrou em contato com os escritos de Schiller, Hölderlin e
Byron, os quais marcaram definitivamente seu pensamento, levando-o na direção
contrária ao Cristianismo.
Suas
leituras também incluíam os gregos Platão e Ésquilo. Os estudos filológicos –
que englobavam não só a história das formas que povoam a literatura, mas também
a pesquisa sobre os mecanismos pré-estabelecidos que regem a sociedade e os
conhecimentos sobre a mentalidade vigente – foram definitivos para sua decisão
de se afastar da teologia.
Entre vários escritos, criou o termo super
homem para designar um ser superior aos
demais que, segundo Nietzsche era o modelo ideal para elevar a humanidade. Para
ele, a meta do esforço humano não deveria ser a elevação de todos, mas o
desenvolvimento de indivíduos mais dotados e mais fortes.
A meta, segundo Nietzsche, seria o super homem e não a humanidade, que para ele
era mera abstração, não existindo em realidade, sendo apenas um imenso
formigueiro de indivíduos.
O todo do mundo era para ele como uma imensa oficina, onde algumas vezes as
coisas eram bem sucedidas, mas na maioria das vezes, o fracasso era o resultado
final. A finalidade das experiências era o aperfeiçoamento do indivíduo e não a
felicidade da coletividade.
Segundo
Nietzsche, a sociedade é o instrumento para a melhoria do poder e da
personalidade do indivíduo, não para a elevação de todos. A princípio ele
acreditava no surgimento de uma nova espécie de ser, porém, passou a cogitar a
possibilidade do seu “super homem” ser um indivíduo superior, que se elevasse
acima da mediocridade e que sua existência se devesse mais ao esforço e a
educação, do que pela seleção natural.
Na visão de Nietzsche o ser humano superior não deveria se unir a outro ser
humano que não fosse igualmente superior. Em sua visão, o amor
é impedimento ao bom senso e o homem não deveria tomar decisões que afetem
sua vida, em momentos de paixão, devendo o amor ser deixado para a ralé ou
classe menos favorecida, cabendo ao ser superior, o super homem, unir-se com
outro ser superior, para assim, dar seguimento ao desenvolvimento da raça e não
apenas sua reprodução.
Michel Foucault
1926 – 1984
Filho
do cirurgião Paul Foucault e de Anna Malapert, nasceu em Poitiers, no ano de 1926.
Embora pertencesse a uma tradicional família de médicos, Foucault caminhou em
outra direção, partindo para as Ciências Humanas. Autor de A
história da Loucura e Vigiar
e Punir, o pensador francês foi um dos mais
criativos e provocativos intelectuais do século 20.
Suas obras, como “História da Loucura”
e “A História da Sexualidade”,
enquadram-se dentro da Filosofia do Conhecimento. “História da Loucura”,
explora as razões que teriam levado, nos séculos XVII e XVIII, à marginalização
daqueles que eram considerados desprovidos da capacidade racional. Seus estudos
sobre o saber, o poder e o sujeito inovaram o campo reflexivo sobre estas
questões.
Em seu livro “Vigiar e Punir”,
Foucault argumenta que a disciplina é o poder que se exerce sobre o corpo do indivíduo,
transformando-o numa máquina de obedecer, explica como a ontologia do presente
está marcada pela questão do poder. Segundo Foucault, a disciplina é
interiorizada, fabricando corpos mais submissos e “dóceis”, sendo exercida
fundamentalmente por três meios globais absolutos: o medo, o julgamento e a
destruição.