expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Sócrates e a Democracia



Roberto Rossellini, diretor de cinema italiano, dirigiu um longa-metragem que apresenta a vida de Sócrates, filósofo grego considerado um dos fundadores da filosofia. Baseando-se nos diálogos de Platão, o filme procura indicar os principais aspectos do pensamento socrático e seu método de trabalho, a maiêutica, definida por ele mesmo como a capacidade de “dar a luz às ideias”, como faz uma parteira ao promover o nascimento de uma criança.


Num contexto em que a Grécia acabara de ser invadida por espartanos e tebanos, Sócrates tenta se equilibrar no duro processo de liberdade de expressão e controle político. Da tirania à democracia escravista, os dirigentes atenienses não tomavam gosto pela argumentação, que viam como um risco para a tradição cultural e para a vida política.


Crítico do modelo de democracia ateniense, não propriamente pelo seu padrão elitista, mas por se fundamentar em processos de escolha e decisão ainda pautados pela tradição religiosa grega – que não negava em absoluto, mas via como mecanismo restritivo do livre pensamento -, Sócrates faz muitos inimigos. Entre eles estão oradores de menor expressão e filósofos sofistas. Invejado por sua capacidade infinita de argumentação, deixava seus interlocutores em maus lençóis quando esgotavam seus argumentos contra o “falastrão”.


Na prática cotidiana, corriqueira, ainda vemos essa atitude rasteira, de baixa polidez, por parte daqueles que querem sempre minar e destruir a situação outro. Neste aspecto, chegamos ao ponto de reflexão deste texto. Muitos desejam a morte do outro. Seja ela uma morte moral, psíquica ou física. Por esta razão tão vil, Sócrates foi condenado à morte, optando por ela. Poderia ter fugido, como arquitetaram alguns, mas preferiu ser morto. Havia outras possibilidades, como ter a língua cortada e viver isolado, mas foi digno da morte. Estar com a língua cortada significaria, neste caso, não poder se expressar, comportamento típico de regimes autoritários ou de pessoas que não gostam de conviver com os contrários com civilidade.


Por mais paradoxal que pareça, na democracia também condenamos os outros à morte. Aquela democracia, a ateniense, certamente nada tem que ver com a atual, mas conserva a ideia original, de que os cidadãos são donos dos destinos políticos. Por qual razão, então, Sócrates teria aceitado a morte? Por respeito às normas políticas, por um lado e para solidificar suas crenças mais profundas, por outro. Talvez seja uma lição para a atualidade, em vários sentidos.


Um aspecto é acreditar no poder da argumentação contra o conhecimento pautado em opiniões sem fundamento. Outro é a capacidade de aceitar mecanismos de regulação social que preservam o bem coletivo, público, sem, contudo, significar que deva haver pactos com desvios de natureza ética. Por fim a lição principal é que em nome de posições supostamente políticas e de preservação moral, interesses supostamente coletivos, arquiteta-se a aniquilação dos outros, real ou simbólica.


Na democracia, como deveriam saber todos os agentes políticos, governantes ou não, agir com o fígado inibe a razão e inevitavelmente leva ao fracasso ético. O tempo se encarrega de ajustar contas com aqueles que desejam sempre o pior para seus adversários, como bem lembrou Sócrates em sua apologia, depois escrita por Platão. Trata-se de um princípio ético fundamental. O pior de tudo é quando os adversários não são adversários. Morto no ano de 399 a.c, no seio da democracia ateniense, Sócrates deixa uma mensagem interessante: “Mas eis a hora de partir: eu para morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo ninguém o sabe, exceto os deuses.”




FONTE:
http://www.viradareflexiva.com.br

Sócrates: A morte de um sábio




        
A história da morte de Sócrates e de sua acusação nos foi transmitida de forma magistral através da obra de Platão (1997): Apologia de Sócrates. “Somos privilegiados por podermos ler aquela simples e corajosa (senão legendária), ‘apologia’, ou defesa, na qual o primeiro mártir da filosofia proclamou os direitos e a necessidade de livre pensamento [...]” (DURANT, 1996, p. 30).

Sócrates morreu em 399 a.C., acusado e condenado de impiedade, ateísmo (não crer nos deuses dos atenienses) e corromper a juventude: “mas, por trás de tais acusações, escondiam-se ressentimentos de vários tipos e manobras políticas” (REALE; ANTISERI, 2007, p. 93).




Ânito, Meleto e Lícon são os acusadores do processo que irá condenar Sócrates. E apesar de não constar nas acusações motivações políticas, a verdade é que Sócrates incomodava seus acusadores porque sua fala em praça pública embaraçava, incomodava e até mesmo destruía reputações de sabedoria. “As acusações de impiedade, de criação de novas divindades e de corrupção dos jovens são, no fundo, apenas cortina de fumaça: Meleto, Ânito e Lícon se mancomunam para atacar Sócrates porque tomam as dores daqueles que ele submetera ao seu interrogatório inquiridor” (GOTO, 2010, p. 118).

Condenado à morte através da Cicuta (veneno que ele deveria beber), seus discípulos e amigos mais próximos até chegaram a subordinar os guardas da prisão oferecendo à Sócrates a possibilidade de fuga, mas ele recusou. Sobre a serenidade de Sócrates diante da morte iminente, e a despeito da aflição de seus discípulos pelo seu fim próximo, assim se refere Xenofonte (Les Helléniques, 1967, II, III, 56 apud GOTO, 2010, p. 110): “há uma coisa que me parece admirável neste homem: é que em face da morte ele não perdeu nem sua presença de espírito nem seu bom humor”.

Com a morte do sábio Sócrates, Atenas “perde a oportunidade de preservar e manter consigo aquele que, muito mais do que propor uma filosofia de caráter ou conteúdo democrático, praticava a democracia na forma mesma de seu filosofar, vivendo esse filosofar como uma ação entranhadamente democrática” (GOTO, 2010, p. 122).


terça-feira, 25 de setembro de 2018

POLÍTICA




A palavra “política” provém do grego “politéia”. Tal palavra era usada para se referir a tudo relacionado a polis (Cidade-estado) e à vida em coletividade. Portanto, podemos chegar a um ponto em comum ao afirmar que a política está relacionada diretamente com a vida em sociedade, no sentido de fazer com que cada indivíduo expresse suas diferenças e conflitos sem que isso seja transformado em um caos social.

Embora se afirme que gregos e romanos tenham criado a política, com destaque para a obra “Política” de Aristóteles, não podemos negar a existência de relações de poder e autoridade em civilizações anteriores. De fato, gregos e romanos desenvolveram as características de autoridade e poder no sentido político.


De certa forma, a política surgiu para garantir a estabilidade social. O agente máximo que garante essa estabilidade é o Estado. O poder político, exercido pelo mesmo, está diretamente relacionado ao direito de coerção e uso legítimo da força física. Assim, para garantir os interesses da sociedade em geral, o Estado pode, de forma única, utilizar a forma coercitiva.

Em sua obra “O Príncipe”, Maquiavel afirmou que o que move a política é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, além disso, segundo ele, os fins deveriam justificam os meios, isto é, para a finalidade da ordem, soberania e bem-estar social, o Estado poderia usar a força física de forma legítima.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

TSE reconhece direito de Lula apoiar Haddad

19 de setembro de 2018 por Esmael Morais

Haddad Presidente, Manuela Vice


O Tribunal Superior Eleitoral decidiu na terça-feira (18), por 7 votos a zero, o direito de Lula aparecer na propaganda de Fernando Haddad (PT) à presidência.

A decisão permite que imagens e áudios de Lula sejam usados nos programas de rádio e TV da Coligação “O Povo Feliz de Novo” (PT/PCdoB/Pros).

Foi uma resposta a representação apresentada pela coligação do candidato Jair Bolsonaro pedindo que Lula fosse proibido de aparecer na propaganda.

A coligação da extrema direita argumentou que a imagem de lula que geraria insegurança, e causaria “estado mental de dúvida”.

Na realidade, o que eles queriam eram censurar Lula do programa de rádio e TV de Fernando Haddad.

Com informações do Portal de Lula. Confira aqui a íntegra da decisão do TSE.



Fonte:
https://www.em.com.br

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Olhar de Maquiável e Rousseau sobre Jair Bolsonaro


Li esse texto e achei interessante postar. Muito se tem discutido, e precisa ser debatido mesmo, porém no campo das ideias, afinal, o nosso futuro, do Brasil e o Poder está em disputa. Vejo pessoas sendo chamadas de mito, outros se apresentam como salvador e uns como uma novidade e renovação. A seguir, o texto.



Bem vamos lá, recentemente terminei de ler O Príncipe” de Maquiavel e comecei a ler “O Contrato Social” de Rosseau, segue abaixo minhas inferências sobre “O Príncipe” e “O Contrato Social”, depois irei unir estes dois textos em uma nova inferência relacionando-a o fenômeno Jair Bolsonaro.

"A grande virtude de um príncipe não é ser integro, ético e moral, mas saber e fazer o que for necessário para se manter príncipe".


"O soberano é resultado da vontade do povo em se manter coeso como Estado, então portanto o soberano é a concretização da vontade geral".
Vamos aqui analisar as débeis bases na qual Jair Bolsonaro se sustenta, o mesmo se mostra e se diz como um dos últimos bastiões da ética, da moral da sociedade brasileira, ele também se define como o único que pensa no bem do povo. Então podemos formar uma imagem do homem, do político ou do mito como seus seguidores preferem chamar, o mito é integro , possui uma ética e moral inquestionável, religioso. Então usarei esta imagem para aplicar o olhar de Maquiavel.
Meu amigo André de Moraes, lançou recentemente uma provocação sobre quem seria o soberano do povo brasileiro segundo Rosseau, eu respondi a provocação dizendo que O soberano com certeza é o caos politico e ético ao qual nossa sociedade se encontra. Unifico aqui o soberano como a imagem do trono também.
Bem então aqui temos um pouco da vida pregressa do nosso Mito, Jair Bolsonaro, um político integro no passado empregava familiares em cargos públicos, nepotismo não é crime, mas um prática eticamente duvidosa e eticamente reprovada. Mas ele é um cara integro, defensor da moral , dos bons costumes, tanto que se sentiu comovido em defender um pastor condenado por estupro, acusado de homicido, trafico, coerção e carcere privado, movendo até um ação de habeas corpus no STF em favor do já referido.
Bolsonaro é o único politico que exerce o mandato de deputado  à 27 anos e pensa exclusivamente no bem do povo, tanto que pensando no bem do povo o mesmo resolveu votar a favor de aumentar o próprio salário em 62%. Ele já defendeu abertamente a tortura, a ditadura militar brasileira, um dos governos mais estatizantes e censuradores da história, mas atualmente ele posta foto e algumas frases perdidas de livros de Mises e Rothbard.
Então podemos aqui aplicar o olhar maquiavélico sobre ele, ele se apropria de discursos políticos conforme o momento que ele vive, ele é integro, defensor da moral e das leis quando lhe convém, mas também quando lhe convém se dispor disso ele não pensa duas vezes, ele acena ao grupo perdido de incautos liberais para angariar seguidores, ou seja, o já referido mito não é mantém um discurso único, mas possui em si a plena virtude necessária a um príncipe.

Com essa postura maquiavélica ele se torna aquele que desafia o atual soberano do povo brasileiro, aquele que eu já disse ser acima, ser o caos ético e politico que nossa sociedade se encontra, ele se levanta, se desponta como um guerreiro que promete erradicar em um único golpe toda a corrupção, instaurar a ética e moral e assim derrubar este vil soberano que nos oprime, isto o torna um deus para seus seguidores, por que tudo que ele diz ou faz tem um propósito maior, é um plano magno a ser trilhado, um estratagema de um mestre enxadrista, não somente um discurso sofista utilizado conforme a ocasião que lhe convém.

______________________________________

"A grande virtude de um príncipe não é ser integro, ético e moral, mas saber e fazer o que for necessário para se manter príncipe


O soberano é resultado da vontade do povo em se manter coeso como Estado, então portanto o soberano é a concretização da vontade geral". (Maquiavel)

- Bolsonaro se mostra e se diz como um dos últimos bastiões da ética, da moral da sociedade brasileira, ele também se define como o único que pensa no bem do povo. Então podemos formar uma imagem do homem, do politico ou do mito como seus seguidores preferem chamar: O mito é integro , possui uma ética e moral inquestionável, religioso. Usaremos esta imagem para aplicar o olhar de Maquiavel.

- Bolsonaro empregava familiares em cargos públicos. Nepotismo não é crime mas um prática eticamente duvidosa e eticamente reprovada. Portanto eticamente ele já estaria errado, mesmo dentro da lei.

- Bolsonaro é uma homem integro, defensor da moral e dos bons costumes, tanto que se sentiu comovido em defender um pastor condenado por estupro, homicido, trafico, coerção e cárcere privado, movendo até um ação de habeas corpus no STF em favor do já referido.

- Bolsonaro é o único politico que exerce o mandato de deputado à 1/4 de século e pensa exclusivamente no bem do povo, tanto que pensando no bem do povo ele votou contra o plano real para defender interesses de uma pequena parte da população, os militares (funcionários públicos), resolveu votar a favor de aumentar o próprio salário em 62%, recebe auxílio moradia mesmo sem precisar. Crimes? Não, mas eticamente reprovável.

- Bolsonaro já defendeu abertamente a tortura e a ditadura militar, incluindo a desastrosa condução econômica da ditadura (economia centraliza, protecionismo, fechamento de mercado, imenso gasto estatal em obras públicas, imensas estatais inchadas e ineficientes) mas atualmente ele posta foto e algumas frases perdidas de livros de Mises e Rothbard para atrair os liberais à sua causa.

Então podemos aqui aplicar o olhar maquiavélico: Ele se apropria de discursos políticos conforme o momento que ele vive, ele é integro, defensor da moral e das leis quando lhe convém, mas também quando lhe convém se dispor disso ele não pensa duas vezes, ele acena ao grupo perdido de incautos liberais para angariar seguidores, ou seja, o já referido mito não é mantém um discurso único, mas possui em si a plena virtude necessária a um príncipe.

Com essa postura maquiavélica ele se torna aquele que desafia o atual caos ético e político que nossa sociedade se encontra. Ele se levanta como um guerreiro da moral que promete erradicar em um único golpe toda a corrupção, instaurar a ética e moral e assim derrubar este vil sistema que nos oprime, isto o torna um deus para seus seguidores, por que tudo que ele diz ou faz tem um propósito maior, é um plano magno a ser trilhado, um estratagema de um mestre enxadrista, não somente um discurso sofista utilizado conforme a ocasião que lhe convém.



Condensado de:
https://medium.com/sociedade-dos-fil%C3%B3sofos/olhar-de-maqui%C3%A1vel-e-rosseau-sobre-jair-bolsonaro-b39dc868c909