segunda-feira, 1 de abril de 2019

45 Anos de Idade, Por Jâmisson Neri




Fim do 1º tempo. Meus 45 anos de boy. That’s over baby. Eu mesmo explico...



Sou tarauacaense. Nasci lá na rua Manoel Lourenço, no bairro da Praia. Ali, naquela rua de chão batido, adornada, aqui e acolá, com touceiras de capim, rodeadas por bostas dos bois que ruminavam demoradamente, mastigando pra lá e pra cá, sob o olhar atento de seus donos, eu passei a minha infância e parte da adolescência.



Após o término das aulas na escola Omar Sabino de Paula e mais tarde no João Ribeiro, todos os garotos daquela geração se reuniam na rua Manoel Lourenço para brincar. De dia, sob a luz do sol; de noite, sob a luz elétrica, gerada a lenha, que durava até às 22h, e daí continuávamos, às vezes, até mais tarde sob a luz da lua. Foi nesse cenário, num bairro simples e tranquilo, na periferia de Tarauacá, que eu, Josman (irmão), Véi do Daniel, João Maciel, Birrom, Léo, Dão, Kbym, Cairara, Chiquim Buxudo, Dentin (in memoriam), Cangati (in memoriam), Cuxiá, Novim, Oroca, Pide (Elpidio), Tabeli, Tijibu, Tucuxi, Nilson Gago, Gricelio, Railton, Railson e Ronilson da Dona Panca, Laildo, Dé, Nena irmao do Zé do Gomes, Batikim, Jiricol, Ueliton do Seu João Bode, Jean do Peixoto, Buriti, Di Brito, Valdor de Brito, Acari, Tabeli, Pau Preto, Zé Muçuleta, Zé Puruca, Sansão, Cuca, Keku, Doril, Príncipe, Reco, Carlin do Buliado, Rabib, Nildo do Manga (in memorian), Nena do Manga, Correinha, André Bocão, Jarbas, Rui Pescocin, Jânio, Tétei, Derlandio, Liu, Evaristo, Everaldo, Ed do Seu Gilau, Totinha, Aristeu, e tantos outros os quais não lembro neste momento, passamos os momentos mais felizes, juntos, de nossas vidas, uns na infância, outros na adolescência, e outros mais adiante, na juventude.



As brincadeiras eram tantas: barra do rouba, bola de gude (peteca), soltar pipa, jogar tampa, jogar pilha, carro de rolimã, colecionar carteiras de cigarros, jogar figurinhas, brincar de carrinho, bang bang cujas as armas eram feitas de madeira, brincar da pira por entre as toras de madeiras ou as pélas de borracha encostadas na beira do rio, tomar banho na igarapé da ponte em frente à casa da Dona Quita, aproveitar o período de alagação do rio para tomar banho e andar de casco, jogar bola no campo da Eulina, jogar vôlei em frente à casa onde eu morava, se divertindo com os gritos do saudoso tio Daniel e as cuiadas do meu pai Zé Neri, ouvindo atentamente as mentiras mirabolantes do saudoso Zé Lopes, participando dos arraiais da Dona Preta do Seu Zé Pinto (in memoriam dos 2), do Bumba meu Boi organizado pela Dona Franscisca Gastón juntamente com o Chiquin Caboco, e tantas outras coisas que fazíamos para nos divertir. Jogar bola na rua era a brincadeira preferida dos garotos do meu top na infancia.
Mas, 4 homens eram o terror para nossas brincadeira: Seu Baldo, Chiquim Resende, Antonio Tabaco e o Zé Magro, todos comissários de menor na época, e que se visse as crianças jogando bola no meio da rua, eles faziam de tudo pra tomar a bola, deixando todos nós em pânico. Quando nós os avistávamos, a correria era grande, pulando cercas e quintais, para não sermos pegos. Eles passavam e continuávamos a jogar a nossa bola. A infância seguia esse ritmo...



A transição para adolescência foi marcada pela fase da vontade de namorar, desejo de “tirar a seca”, de ir às festas no Astral, Havaí, Stillus, Chega Mais, Clube do Manel Macaxeira (Juruá Clube) e no Clube do Tinha (The King’s), e aquelas idas inopinadas no Cisne Bar, Koxixo’s, Café Express etc...



Aos 16 anos, decidi partir de Tarauacá em busca uma formação secundária e universitária, e por essa razão me divorciei da minha querida terra natal, embora eu não consiga esquecê-la. Tarauacá está na minha essência. Eu estou na essência de Tarauacá.



No dia em que eu decidi sair de casa, meu pai me disse "filho não vá". Contrariando-o, me lancei no desafio de romper e vencer muitos obstáculos na vida. Vim, venci e conquistei. Andei por caminhos desconhecidos, mas sempre fui cauteloso nos meus passos. Os caminhos que percorri e os desafios que enfrentei me ensinaram uma grande lição: minha doutrina de vida é que a força que me impele no caminho do sucesso e da realização é a força dos valores espirituais: a fé, a coragem, a retidão, a lealdade e a perseverança. Guio-me por esses valores com firmeza e convicção.



Hoje, acordar com 45 anos, a vida me faz veterano. Não é muito e nem o bastante, mas o suficiente para saber que só envelhece quem vive muitos anos. Sei que não vim para ficar, mas peço a Deus que multiplique as noites que me fizeram repousar, e as manhãs que até hoje foram possíveis eu acordar. Agradeço a Deus por ter-me dado a vida por intermédio dos meus pais, e a eles por terem feito o esforço possível para mim educar, e mostrado os bons caminhos para que hoje eu tenha esta idade.

Chegar aos 45 anos, fim do 1º tempo, pode não fazer de mim um herói, mas me dá o direito de me considerar um campeão. Aprendi que com a simplicidade e a humildade podemos conservar sadio os nossos corações. 45 anos não é nada demais, mas vou fazer uma pausa, e viver com mais segurança, para que no próximo ano eu fale de mim um pouco mais.
 Josman Neri, Joana Paiva (Mãe), Jâmisson Neri