quarta-feira, 25 de maio de 2016

A arte do engano

Fonte: Do Livro Aplicando Maquiavel no Dia a Dia - Autor: Fernando Gregório



Quando o comando descobre que não poderá resistir às pressões dos comandados, começam a “fabricar a fama” de um elemento seu e trabalham para torna-lo líder para, sob sua sombra, satisfazer seus interesses.

É o típico caso de muitos candidatos políticos, cuja imagem é fabricada, com a ajuda da mídia, pelos grupos poderosos para assumir o poder político em benefício de poucos.

Outro exemplo são os conhecidos “pelegos”, os sindicalistas subservientes fabricados pelo patronato e infiltrados nos sindicatos operários para atender os interesses de quem está no poder.

Aquele que não se prepara para os embates da vida, que não sabe ter firmeza nas situações críticas que o mundo lhe reserva, será fatalmente refém daqueles que souberam se aprontar, serão comandados por aqueles que se prepararam.

Ninguém deve ficar sentado no banco da praça à espera de grandes oportunidades, a sorte só ajuda quem a procura. Quem não estiver preparado para o futuro vai perder espaço, vai sofrer decepções, vai ser um comandado, perderá o poder, aquele que se prepara, conquistará. Quem tem a sabedoria e sabe aplicá-la, terá o poder.

Não se pode querer que aquele que se preveniu, que planejou com antecedência, que se instruiu, venha obedecer de boa vontade àquele que não é capacitado. Haverá sempre controvérsia.

Daqui uns dias teremos eleições. Aí precisamos avaliar bastante o quadro político e os atores que se apresentam. Alguns líderes políticos se apresentarão como o diferente, o salvador, o amigo de todos. Todos merecem nossa atenção, no sentido de avaliarmos sua conduta, o comportamento, as origens, as palavras, o compromisso, as pessoas que o cercam, enfim seu perfil.

Vigiai...! 

Como diz a Bíblia: Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará“.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Incerteza – Elimar Pinheiro do Nascimento

Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável da UNB

Sei que a maioria dos brasileiros está otimista ou esperançoso com o governo que começa.  E a criticidade da situação econômica, não enseja outros sentimentos. Imagina-se que a situação é tão ruim que nada poderá ser pior. Contudo, a incerteza é o que impera entre nós. Quem poderia pensar que um presidente da Câmara conhecido como corrupto fosse ser substituído por um paspalhão, conhecido agora como Zé (a)nulidade?  Por isso, toda precaução é pouca.

Não é do meu feitio desarrumar festas alheias. Sinto-me, porém, na obrigação de citar alguns senões neste processo politico que se inicia hoje, quinta, 12 de maio. Começando pelo folclórico.

Fiquei surpreso que nada de extraordinário aconteceu entre quarta e quinta feira. Tudo transcorreu conforme o script. Não houve briga no senado, não houve quebra-quebra nas ruas, nem as “massas” vieram se despedir da Presidente. A marcha do Palácio do Planalto ao Palácio da Alvorada gorou. O número de pessoas em frente ao Congresso na noite de quarta e madrugada de quinta era pequeno, e pela primeira vez os adeptos de Dilma eram maioria. Houve empurrões, insultos e pequenas brigas aqui e acolá, sobretudo em São Paulo. Exceções que confirmam a regra. Muito positivo, mostra que a cultura política democrática não morreu, como imaginavam alguns. Os ritos estão sendo observados.

Contudo, faltou recato, como diz Josias de Souza, a troupe do Temer na chegada ao Palácio do Planalto. É o mínimo que se pode dizer. Um processo de impeachment é sempre traumático para um país. Não é algo normal, nem muito menos banal. Exige-se sobriedade. Fechando os olhos veio-me na mente uma ceia medieval, em que um bando de homens come com as mãos e limpa a boca com as mangas do casaco. Lastimável.

Faltaram mulheres no novo ministério. Zero. É o sinal do machismo que reina na política. Não ter nenhuma mulher no ministério é no mínimo uma falta de sensibilidade com as mudanças do tempo. E um sinal de que talvez os novos tempos não sejam compreendidos pelo Presidente em exercício. Imperdoável. E para completar faltaram negros. Fiquei com uma impressão de um governo dos anos 1950.

Faltou racionalidade no enxugamento do Ministério. Não tem sentido dissolver o ministério da cultura na educação e manter o ministério do turismo.  Ambos, e mais o esporte, deveriam estar sob um novo ministério: o da economia criativa. Qual a função relevante do ministério da integração?  Ou do Trabalho? Porque a comunicação vai contaminar o ambiente de ciência e tecnologia, e não integra o de transporte? Por que indústria não se integra com Minas e Energia? Enfim, possibilidades distintas da que foi adotada. Sem dúvida a decisão não foi pensada, talvez pela pressa.

Excedeu-se em políticos. E velhos e maus políticos. A cara do Parlamento. Muitos já pertenciam ou pertenceram aos governos pretéritos. Muitos estão na politica por negócios. Vários investigados. Suspeitos. Amanhã réus. A fama da grande parte é a pior possível. Em cada um de seus respectivos estados a fama é de homens de negociatas, de corrupção e outros mais. Não todos, mas a maioria. Ruim. Decepciona parte da opinião pública, que pensava, ou almejava, um governo de competência e não de simples arranjo.

A situação econômica é desastrosa e não será fácil fazer o País retomar o crescimento. A recessão é forte e o desequilíbrio das contas públicas é imenso. A receita cai e a dívida pública sobe, a cada dia.  O número de desempregados ainda deve crescer. E a má qualidade dos serviços públicos tem deixado o povo absolutamente insatisfeito. Insatisfação que se voltará para o atual governo se algo importante não for feito. Lembremo-nos que os tempos administrativo e politico nem sempre são compatíveis. E se as ruas se rebelarem a pressão sobre o Parlamento crescerá, aumentando as chances que votos mudem de direção. Alto risco.

Finalmente, há uma variável independente: a lava jato. Vários dos peemedebistas, e eles são um terço do governo, estão na linha de tiro. E entre elas figuras importantes, como o ministro do Planejamento. E se Cunha, ou outro, resolve fazer uma delação premiada, o presidente em exercício não será contaminado? Ademais há um processo no TSE com indícios claros de propina da Petrobrás na chapa vencedora da qual participava o presidente em exercício. Ou seja, dinheiro escuso.

Há muitas incertezas e nuvem carregadas, para ficarmos simplesmente otimistas. Esperançosos talvez, mas com parcimônia, pois, a situação é grave e os atores, medíocres.


PS. Neste mesmo dia enviei um artigo para o blog da politica brasileira, de título – Os desafios do governo Temer (mas as vezes o editor inventa de mudar o titulo), chamando a atenção para o que espera o governo Temer em três esferas, o da economia, o da governabilidade e o da opinião pública.