quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A política do “rouba, mas faz” precisa finalmente ser superada

Agora o pior são aqueles que roubam e não fazem mais nada!



O bordão “rouba, mas faz” surgiu na política brasileira na década de 50 quando os cabos eleitorais do político Adhemar de Barros tentavam defendê-lo dos adversários que o acusavam de ser ladrão. Até hoje essa frase é repetida por milhares de pessoas para justificar o voto em candidatos fichas-suja, corruptos, desonestos ou descomprometidos com a res pública.

Este ano, o “Índice de Percepção da Corrupção” mediu os níveis de corrupção no setor público em 168 países. No ranking, o Brasil ocupa o 76º lugar, colocação pior que na edição anterior, talvez por conta dos casos recentes envolvendo a Petrobrás. Em meio a tantos escândalos de corrupção, “Mensalão”, “Petrolão”,  “Lava Jato”, delações premiadas, condenações, instabilidade entre os poderes e pedidos de impeachment, instalou-se uma grave crise política no país.

Mas muita gente pergunta: o que a crise de governabilidade tem a ver com a corrupção? E nós respondemos: tudo! Nas democracias, a estabilidade no país se constrói com respeito entre os poderes e entre governantes e governados. O cidadão, precisa ter confiança nas ações de seus representantes. Quando o eleitor acredita que não há candidatos honestos, capazes de realizarem uma gestão proba e vota naquele que acha que “vai roubar menos”, ele está fortalecendo a corrupção e agravando a crise institucional que vivenciamos hoje.

Não podemos mais aceitar que um político ou qualquer autoridade cometa crimes e por estes não sejam punidos, mesmo que se tenha resultados concretos com sua ação ou omissão, pois um crime merece a imediata reprimenda social e quando esta não vem, temos a impunidade como mote para cometimentos de outros num círculo vicioso e pernicioso, em que a própria população inverte os valores.

Ruy Barbosa afirmou certa vez que "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Embora respeite esses versos e tê-los infelizmente como reais, não podemos nunca desanimar, nem ter vergonha da honestidade e a nossa luta é justamente para mudar a realidade neles descrita.

Devemos, sempre, combater todas as formas de corrupção e aqueles que lançam mão da coisa pública em interesse próprio devem sempre ser punidos, independentemente do resultado. Através das nossas ações, devemos exigir dos nossos representantes transparência, comprometimento, respeito, integridade e retidão, que se encontram presentes nos princípios de todo administrador público e quando se violam tais caracteres, a aceitação nunca pode prevalecer.

Essa aceitação, mesmo que tácita, é algo que precisa ser combatida e a realidade que precisamos mudar depende de uma postura de indignação com qualquer ato criminoso, pois só assim teremos a esperança de que tudo que estamos vendo hoje seja no futuro um passado para ficar somente na história e nunca mais prevalecendo como hodiernamente, de modo que as futuras gerações possam se orgulhar do passo dado e concretizado em posturas objetivas de não se resignar com atos criminosos, pois estes são e sempre serão errados, não podendo ser convalidados nunca.

Agora o pior de tudo é que estamos em outra fase também, a que rouba e não faz mais!


Fonte:
http://joseherval.jusbrasil.com.br/artigos/406870975/a-politica-do-rouba-mas-faz-precisa-finalmente-ser-superada?utm_campaign=newsletter-daily_20161121_4384&utm_medium=email&utm_source=newsletter

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