quarta-feira, 17 de agosto de 2011

As guerras não se evitam com adiamentos


Frase de Maquiavel contém uma sábia lição para todo o político

Esta frase de Maquiavel encerra um ensinamento político de grande importância, que tem sido confirmado pela história em inúmeras situações, nos mais variados tempos e sistemas políticos. A leitura de Maquiavel contudo deve ser feita de maneira criteriosa e não literal, sob pena de incorrer-se em erros graves.
Em primeiro lugar, é preciso ampliar-se o significado do que ele chama de guerra, para que a lição seja útil para a política que se pratica numa democracia. Por guerra deve entender-se, então, um conflito político sério e intenso que contrapõe dois adversários numa disputa decisiva (isto é uma disputa na qual o derrotado perde as condições de competitividade).
Para Maquiavel, o político lúcido é capaz de antecipar as situações de conflito.

Segundo Maquiavel, o político lúcido é capaz de prever, com a devida antecipação, estas situações de conflito que, mais cedo ou mais tarde, surgirão. Diante deste quadro há duas maneiras de lidar com o “conflito anunciado”: ganhar tempo ou tomar a iniciativa. Usando o exemplo dos romanos ele diz:
Precavidos, os romanos conjuraram sempre os perigos antes que eles aumentassem, mesmo ao custo de uma guerra, pois sabiam que as guerras não se evitam adiando-as, e se forem adiadas, beneficiarão o adversário. Guerrearam contra Felipe e Antíoco na Grécia para não ter mais tarde que lutar contra ambos na Itália. Era fácil para eles evitar as guerras, mas não o fizeram, nem deram importância à antiga máxima dos sábio dos nossos dias de que convém ganhar tempo."
Numa democracia, há sempre muitos conflitos. A maioria pode e deve ser evitada. Há, entretanto, certos conflitos que são inevitáveis.
Situações em que o conflito é inevitável
- Os adversários não admitem espaço para negociação e transigência;
- Estão estruturados sob a forma de uma relação de “soma zero”, isto é, o que um perde é exatamente o que o outro ganha;
- Nestas situações, e somente nelas, a lição de Maquiavel é clara: tentar apaziguar o adversário e ”ganhar tempo” são procedimentos arriscados porque, a qualquer momento, o adversário pode romper a trégua e assumir a ofensiva. Assim, é preferível preparar-se por antecipação, escolher o melhor momento, municiar-se dos elementos necessários para vencer, e, na ocasião certa, tomar a iniciativa.
- Exemplo claro e antológico desta lição foi a política britânica de apaziguamento de Hitler, antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Diante do que era obviamente uma guerra inevitável, os ingleses preferiram “ganhar tempo” e adiar o conflito mediante concessões. Não apenas não evitaram a guerra, mas deixaram para Hitler a escolha do momento e a iniciativa, e, quando ela eclodiu, não estavam preparados para ela. 
Diante de uma guerra inevitável, os ingleses antes de serem comandados por Churchill preferiram “ganhar tempo” e adiar o conflito.


Fonte: Fundação Perseu Abramo 

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