terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As mulheres e a desigualdade social


Foi a partir da entrada da mulher no mercado de trabalho que a descriminação ficou mais clara.

Muito se tem discutido sobre a desigualdade de condições entre homens e mulheres no contexto mundial. O assunto veio agora à tona com a divulgação do último Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDG é um dos indicadores complementares ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e, assim, reflete a desigualdade entre homens e mulheres em três dimensões: saúde reprodutiva, capacitação e mercado de trabalho, de acordo com o Pnud.
O espantoso foi que nesse ranking que sublinha a participação feminina nos aspectos mais justos do pleno exercício da cidadania, a desigualdade de condições entre homens e mulheres deixa o Brasil atrás de 79 países em um total de 146 nações, conferindo-nos a 80ª posição, atrás do Chile, da Argentina, do Peru, do México, da Venezuela e até de árabes como a Líbia, o Líbano e o Kuwait.
Mas a questão que inquieta é o motivo pelo qual ainda estamos nessa condição, apesar de todo o esforço do governo federal, da mídia, dos programas de conscientização, da luta dos movimentos em prol da participação da mulher em todos os setores da sociedade. Existe em nossa sociedade, na realidade, um machismo velado, quer em razão da nossa colonização latina, quer também pela cultura equivocada da produtividade. No entender de alguns empregadores, a participação feminina no trabalho serve para complementar a renda familiar. Nessa relação empregada/empregador, a legislação trabalhista contempla direitos legítimos na defesa da mulher nos seus aspectos mais genéricos, como gravidez e amamentação, o que muitas vezes, infelizmente, acentua essa disparidade apontada pelo Pnud.
Em algumas profissões liberais as mulheres já são maioria no Brasil. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o número de advogadas já supera o de homens entre os inscritos na Ordem. Elas já são 50,51%. Isso demonstra que pelo menos na ponta de defesa dos interesses da justiça do cidadão no nosso país, as cidadãs advogadas já são maioria, e ninguém melhor para representar os nossos interesses perante os tribunais do que aquelas que agora, com esses dados na mão, mais combativas estarão da busca pela justiça.
Pelo menos nesse aspecto temos do que nos orgulhar, mas muito temos ainda que trilhar para, de forma justa, integrarmos a força de trabalho feminina no nosso país. Agora, cuidado! Em vista à particularidade dos dados da OAB, mulheres injustiçadas defendidas por advogadas, agora em maioria, estarão bem representadas e, portanto, para nós homens, é bom logo revertermos esse índice.
Mulheres no Mercado de Trabalho
 
Foi a partir da entrada da mulher no mercado de trabalho que a descriminação ficou mais clara, pois ao vê dos homens isso fez com que destrua a antiga imagem da sociedade tradicional, com a mulher no seu papel de esposa, mãe, administradora do lar e educadora de filhos. Mesmo as mulheres tendo uma boa educação e um grau de escolaridade alto elas não eram empregadas. Os homens tinham receio de empregá-las e futuramente elas se desenvolverem nos cargos e eles “ficarem pra trás”. Por isso que a maioria das mulheres empregadas eram as que tinham menos escolaridade.

Foi a partir de 1933, graças ao aumento de exigências na competição por postos de trabalho essas mulheres com o 2º grau completo foram empregadas. Mesmo assim apresentavam taxas de desemprego duas vezes maiores que as masculinas.

Estatísticas mostram que o maior número de evasão feminina nas 4 primeiras serie do primeiro grau é superior á dos meninos, justamente nas series em que suas chances são maiores. Para os meninos é a partir da 5ª serie que se instala um maior nível de evasão, junto com a necessidade de exercer um trabalho. Mas foram as mulheres jovens que reduziram ainda mais que os homens jovens seu analfabetismo. Já as mulheres mais velhas, apresentam uma situação mais desfavorável que a dos homens velhos em termos de analfabetismo.

Fonte: pnud

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