domingo, 18 de dezembro de 2011

A arte da fuga: como não aprender com os erros


Quando terminava a I Guerra Mundial (1914-1918), o czar Nicolau da Rússia enfrentava sérias contestações domésticas. Não só o regime era autoritário e suscitava sérias impopularidades, como sofria graves revezes na Guerra, a exemplo, a economia que em relação ao ocidente estava muito atrasada. Eventualmente os vários movimentos revolucionários derrubariam o czar em 1917 na Revolução de Fevereiro, e o poder seria tomado pelos bolcheviques, liderados por Lenine, o Lenin, em Outubro do mesmo ano.
Seguiu-se uma guerra civil (1918-1922), entre "Vermelhos" (revolucionários e comunistas) e "Brancos" (conservadores, monárquicos, liberais, pró-ocidentais, socialistas moderados), ganha pelos primeiros. Durante este período, e para manter o Exército Vermelho e o regime que começava, vigorou o sistema econômico de "Comunismo de Guerra" (1917-1921), que consistia numa lei marcial absoluta em que toda a economia era controlada pelo Estado e a iniciativa e propriedade priva das eram suprimidas.
Apesar de quase cumpridos os objetivos políticos e militares, logo ficou patente que o Comunismo de Guerra tinha sido um fracasso econômico— a economia tinha regredido a níveis muito inferiores aos da Grande Guerra. Primeiro Trotsky (1920) e depois Lenin (1921) propuseram então a Nova Política Econômica (NEP - 1921-1928) que consistia numa restauração da propriedade privada de algumas partes da economia, nomeadamente agricultura e pequeno comércio.
Entre muitas medidas liberalizadoras, a NEP permitia que os agricultores comercializassem parte dos seus excedentes de produção (que anteriormente eram confiscados pelo Estado). Em consequência, e apesar de se manter a estrutura de pequenas quintas e explorações familiares, deu-se uma espetacular recuperação da atividade agrícola, cuja produção reverteu para níveis pré-Guerra. Libertara-se o potencial da imensa terra arável dos territórios soviéticos. Mas esta lição foi rapidamente esquecida.
Penso que os erros e acertos devem ser avaliados de forma minuciosa para que gerações futuras possam, fundamentadas nas suas ações cognitivas, avançar em pesquisas, estudos e atitudes políticas que visem o melhor  para o bem comum.
Devemos olhar para dentro de nós mesmos. Fazer uma avaliação das nossa ações, do que estamos fazendo para melhorar o ambiente em que vivemos. Pensar que ninguém constrói melhorias de um povo sem a participação do coletivo. Avançar cada vez mais, com participação de muitos, é fundamental para consolidar a união e agregar valores e atores na construção de um mundo melhor.


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